Cultura

Da esquerda para direita — Bruno Okuyama (BG produções), Wellison Freire (Nebulosa Selo), Lucas Reali (Quarto estúdio), Gisele Alexandre e Carol Rosa na gravação do primeiro episódio da minissérie.
Por Redação
A criatividade que pulsa nas periferias brasileiras está no centro da nova série “Criativos da Quebrada”, que estreia nesta terça-feira (9). O projeto traz histórias de empreendedores e artistas da zona sul de São Paulo que fazem da economia criativa não apenas um meio de expressão cultural, mas também uma estratégia de sobrevivência em territórios marcados pela falta de investimento e políticas públicas.
A produção é conduzida pela jornalista Gisele Alexandre, ela mergulha em conceitos da economia criativa combinados a experiências reais de quem transforma a cultura em fonte de renda e desenvolvimento local. Ao todo, 17 trajetórias são narradas ao longo dos episódios, revelando como a arte, a música, a moda e o audiovisual se consolidam como motores de inovação na quebrada.
“Eu também sou uma criativa da quebrada e, assim como alguns convidados, continuo aprendendo a me colocar como empreendedora. Mais do que entrevistas, essa série foi uma troca de vivências valiosas”, afirma Gisele Alexandre.
O projeto é uma coprodução da Pauta Periférica e da Cleopatra Filmes e Multimídia, produtoras geridas por mulheres que se destacam no audiovisual e na valorização da cultura periférica. Para as sócias Raquel Hisse e Luanna Sampaio, a iniciativa representa a consolidação de um desejo coletivo: “O podcast materializa nosso desejo de produzir conteúdo por e para a diversidade da sociedade, fortalecendo a comunidade periférica — em sua maioria composta por pessoas negras — e oferecendo visibilidade para histórias de empreendedores e artistas que transformam o mundo com suas experiências”.
Segundo dados do Sebrae, a economia criativa é formada por atividades que usam cultura, criatividade e conhecimento como combustível para gerar valor econômico — da música ao design, da moda à tecnologia. Mas, nas periferias, ela também se converte em ferramenta de resistência e afirmação coletiva.
Com episódios em vídeo no YouTube e no Spotify, além das principais plataformas de áudio, a série busca dialogar tanto com jovens que estão iniciando suas trajetórias na cultura quanto com pesquisadores e gestores públicos. Mais do que contar histórias, “Criativos da Quebrada” propõe olhar para as periferias como centros de inovação, cultura e futuro.