{"id":976,"date":"2025-02-24T18:27:00","date_gmt":"2025-02-24T21:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=976"},"modified":"2025-02-24T20:41:43","modified_gmt":"2025-02-24T23:41:43","slug":"coluna-ombala-o-que-queres-jovem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/02\/24\/coluna-ombala-o-que-queres-jovem\/","title":{"rendered":"Coluna Ombala: O que queres, jovem?"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:#fcb900\" class=\"has-inline-color\"><strong>Coluna Ombala<\/strong><\/mark><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/26805714758_514284d8f2_k-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-977\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/26805714758_514284d8f2_k-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/26805714758_514284d8f2_k-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/26805714758_514284d8f2_k-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/26805714758_514284d8f2_k-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/26805714758_514284d8f2_k.jpg 2047w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><sub><em>Foto: Ricardo Matsukawa\u00a0<\/em><\/sub><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Silvia Mungongo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2025 iniciou com fortes movimenta\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio pol\u00edtico mundial. Para o desagrado de uns e agrado de outros. A atmosfera pol\u00edtica parece pesada e dif\u00edcil de ignorar, j\u00e1 que muitas das recentes medidas adotadas impactam pol\u00edtica e economicamente diversas na\u00e7\u00f5es ao redor do mundo, sobretudo as mais pobres. Tamb\u00e9m, com preocupa\u00e7\u00e3o, acompanhamos a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que fazem retroceder direitos b\u00e1sicos, conquistados com sangue, suor e l\u00e1grimas de quem veio antes de n\u00f3s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, minha escrita \u00e9 para jovens. Jovens das quebradas, jovens desse imenso Brasil, de Angola (meu pa\u00eds), e de todo mundo. Jovens que ousam e querem mudan\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem anda de transporte p\u00fablico em S\u00e3o Paulo sabe que est\u00e1 sujeito a ouvir, ainda que n\u00e3o queira, conversas de todo teor: pol\u00edtico, econ\u00f4mico, sexual, dom\u00e9stico, entre outros. Recentemente, tive a \u201cgra\u00e7a\u201d de acompanhar o di\u00e1logo entre dois jovens, que n\u00e3o deviam ter acima de 25 anos. Em meio ao barulho do com\u00e9rcio, pedidos de ajuda, m\u00fasica, risadas&#8230; eles falavam sobre geopol\u00edtica de uma forma t\u00e3o consciente que quase entrei na conversa, mas me contive para ouvir e absorver mais do seu conhecimento. A dado momento, um deles disse: \u201cos Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o a Am\u00e9rica, n\u00e3o s\u00e3o o mundo. Eles n\u00e3o s\u00e3o super-her\u00f3is. Todo mundo devia ter o direito a viver com dignidade em qualquer lugar do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse di\u00e1logo foi t\u00e3o inspirador e me lembrou de um texto que havia escrito h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos. Nele, eu perguntava sobre o que os jovens queriam, uma vez que s\u00e3o a maior for\u00e7a transformadora do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, o que voc\u00ea quer? Que sonhos trazes? Que mundo almejas? Sonhas com um mundo de paz, onde n\u00e3o haja opressores e oprimidos? Privilegiados e desfavorecidos? Racismo, preconceito, guerra, viol\u00eancia, \u00f3dio e rancor?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 isso ut\u00f3pico? Seja como for, eu tamb\u00e9m penso assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como voc\u00ea, sou jovem. J\u00e1 dizia o m\u00fasico angolano, Andr\u00e9 Mingas (in memoriam), \u201cquero a vida ver sorrir, viajar, ter amigos\u201d e contemplar um belo p\u00f4r do sol nas Am\u00e9ricas, \u00c1sia, \u00c1frica, Europa ou Oceania sem, no entanto, me deparar com as barreiras f\u00edsicas e invis\u00edveis que os Estados fixaram como forma de repuls\u00e3o do novo, do diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os dias morrem imigrantes nas fronteiras terrestres e mar\u00edtimas, por conta da hipocrisia e do preconceito humano. S\u00e3o pessoas que s\u00f3 queriam uma vida melhor para os seus e suas. Gente que luta desesperadamente para fugir da guerra e da mis\u00e9ria nos seus pa\u00edses. Ser\u00e1 que passam por tanto sofrimento por mero capricho? Arriscam suas vidas porque \u00e9 bom fazer um belo passeio ao frio e ao vento, nos desertos ou nos grandes mares Mediterr\u00e2neo, Morto, Vermelho e por a\u00ed vai?<\/p>\n\n\n\n<p>Apelo \u00e0 humanidade. Temos os cora\u00e7\u00f5es mais gelados que a Ant\u00e1rtida. J\u00e1 vi jovens, como eu e voc\u00ea, serem humilhados, violentados, maltratados e a morrerem, por ousarem sonhar com uma vida melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Que mundo para n\u00f3s? Na\u00e7\u00f5es se levantam umas contra as outras apenas para ver quem domina. Uma medi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, onde quem sofre s\u00e3o os mais fracos. O mundo viveu tantos males, tantas guerras, mas parece que n\u00e3o aprendemos nada. Pa\u00edses continuam a se bombardear s\u00f3 para mostrar quem manda. Civis morrem, mulheres e meninas s\u00e3o estupradas e usadas como escudos humanos. Destroem escolas, hospitais, sonhos&#8230; Destroem para depois gastar milh\u00f5es com reconstru\u00e7\u00e3o. Quanta estupidez!<\/p>\n\n\n\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o terminou, formalmente, mas continuamos a sofrer outras formas de coloniza\u00e7\u00e3o: na economia, moda, cinema, desporto, ci\u00eancia&#8230; O Sul Global continua ref\u00e9m do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1frica possui encantos e riquezas que fazem inveja aos outros, por isso, se conhecer a paz muitos interesses cair\u00e3o por terra. Os conflitos no continente n\u00e3o atraem a aten\u00e7\u00e3o internacional, os problemas dos africanos n\u00e3o comovem. \u00c1frica continua a ser o \u201coutro do outro\u201d, parece que n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<p>Como queres paz, jovem? Se os \u201cos grandes\u201d poluem e quem sofre s\u00e3o os mais pobres, que at\u00e9 desenvolvem a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o ambiental? Como ter paz se a cor da minha pele faz de mim menos humana? Se a minha condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e orienta\u00e7\u00e3o sexual me colocam \u00e0 margem? Como ter paz se me foi negado o direito de estudar e aprender na minha l\u00edngua de origem? Se minorias \u00e9tnicas s\u00e3o silenciadas e passam por processos de apagamento?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 impressionante, a Am\u00e9rica \u00e9 terra ind\u00edgena, mas os invasores apoderaram-se e hoje t\u00eam a insol\u00eancia de expuls\u00e1-los. Quanta injusti\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que poderemos ter um mundo sem dor? \u00c9 ut\u00f3pico pensar assim, n\u00e3o \u00e9? Por\u00e9m, a utopia \u00e9 como a linha do horizonte, nunca a iremos alcan\u00e7ar, mas ela serve para que n\u00e3o deixemos de caminhar, afirmou o grande poeta uruguaio, Eduardo Galeano. E eu acrescento, os sonhos sustentam a nossa vida e s\u00e3o o prel\u00fadio da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos sonhar, mas vamos agir para provocar mudan\u00e7as. Tantos e tantas jovens deram o melhor de si para transformar suas comunidades, sigamos o exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma guerra constante entre marginalizados e marginais para n\u00e3o deixarmos haver paz enquanto guerras econ\u00f4micas continuarem, enquanto mulheres e outros povos continuarem a ser oprimidos em nome da \u201cbem-feitoria\u201d.&nbsp; Sejamos francos: n\u00e3o existem super-her\u00f3is. S\u00f3 mesmo na fic\u00e7\u00e3o. Povo algum precisa de um her\u00f3i para o salvar. Parem de explorar!<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tamb\u00e9m quero o que tu queres, jovem. Chega de guerras e reconstruamos a ideia de paz. Uma paz verdadeira, sem camuflagens. N\u00e3o uma falsa paz criada apenas para manter o sistema a funcionar. Chega de guerra e de subalterniza\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 pedir demais? Seja como for, \u00e9 isso que quero. \u00c9 isso que crian\u00e7as e jovens precisam.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>\u201cA revolu\u00e7\u00e3o deve ser l\u00facida, atenta, exigente e permanente\u201d.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Mano Azagaia, rapper mo\u00e7ambicano.<\/p>\n\n\n\n<p>_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:19% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"831\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia1-831x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-594 size-full\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia1-831x1024.jpg 831w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia1-243x300.jpg 243w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia1-768x947.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia1.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 831px) 100vw, 831px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>Silvia&nbsp;Mungongo<\/strong>: natural de Luanda, Angola, atualmente residente na cidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 soci\u00f3loga, ativista, poeta e jornalista. Profissional de comunica\u00e7\u00e3o com s\u00f3lida experi\u00eancia em reda\u00e7\u00e3o, locu\u00e7\u00e3o, reportagem e edi\u00e7\u00e3o. Atuou em diversas plataformas, como r\u00e1dio, televis\u00e3o e m\u00eddia digital, desenvolvendo e apresentando conte\u00fados informativos e engajadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a coluna:<\/strong>&nbsp;Ombala \u00e9 uma palavra na l\u00edngua angolana&nbsp;Umbundu, que significa capital ou sede. Portanto, um lugar de encontros e reencontros e onde normalmente residem Reis e Rainhas. A coluna pretende ser um espa\u00e7o de reencontro da cultura africana, seus fazedores e sua abrang\u00eancia na di\u00e1spora. Ser\u00e1 um prazer ter-vos por aqui.&nbsp;Ngasakidila!<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna Ombala Foto: Ricardo Matsukawa\u00a0 Por: Silvia Mungongo O ano de 2025 iniciou com fortes movimenta\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio pol\u00edtico mundial. Para o desagrado de uns e agrado de outros. 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