{"id":470,"date":"2024-08-28T14:44:21","date_gmt":"2024-08-28T17:44:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=470"},"modified":"2024-09-12T13:24:18","modified_gmt":"2024-09-12T16:24:18","slug":"correndo-da-margem-transmasculinidades-na-arte-periferica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/28\/correndo-da-margem-transmasculinidades-na-arte-periferica\/","title":{"rendered":"Correndo da margem: transmasculinidades na arte perif\u00e9rica"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/imagi_nero\/\">Nero Santos<\/a><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0008-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-471\" style=\"width:1097px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0008-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0008-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0008-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0008-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0008.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A gente cria\/constr\u00f3i imagin\u00e1rios sociais todos os dias, em busca de ser sobrevivente, o protagonismo de pessoas transmasculinas na arte perif\u00e9rica \u00e9 sobre ocupar, persistir reinventar o modo de fazer arte, movimentando nosso rol\u00ea, curtindo sem se afogar, lembrando sempre que nossos corpos dissidentes j\u00e1 s\u00e3o reconhecidos, por\u00e9m, apagados numa sociedade que fecha os olhos para nossa exist\u00eancia. \u00c9 incr\u00edvel como a gente se desdobra para ter v\u00e1rias funcionalidades, mas n\u00e3o tem oportunidade. Atravessando a cidade de S\u00e3o Paulo, da Sul a Oeste, da Norte a Leste, do Centr\u00e3o aos extremos, ser transmasc arteiro e viver de arte na \u201cselva de pedra\u201d \u00e9 ser vision\u00e1rio!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nessa reportagem, a proposta \u00e9 reconhecer o corre de artistas transmasculinos independentes e perif\u00e9ricos, enaltecer sua arte e vivenciar, atrav\u00e9s dos relatos, um pouco da sua correria di\u00e1ria atr\u00e1s das notas no meio cultural de SP.  Conhe\u00e7a os arteires:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/assinado.vitos\/\"><strong>Vito<\/strong><strong>s<\/strong><\/a>: Nascido na zona norte de SP, aos 31 anos, Vitos se l\u00ea como transmasculino n\u00e3o bin\u00e1rio, que se coloca profissionalmente como multiartista. Suas pesquisas come\u00e7am na fotografia em 2015 e se expande em 2019&nbsp; para as artes gr\u00e1ficas e em 2021 nas artes pl\u00e1sticas, se destacando tamb\u00e9m na tatuagem, com o Est\u00fadio de cria\u00e7\u00e3o &#8220;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/euquefizta\/\">Eu Que Fiz Ta<\/a>&#8220;. Suas cria\u00e7\u00f5es evidenciam express\u00f5es pol\u00edticas trans racializadas de forma contempor\u00e2nea. Os trabalhos mais recentes incluem audiovisual e pesquisas de DJ que partem de sua inclus\u00e3o profissional ao coletivo Fuleragi em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><a href=\"http:\/\/instagram.com\/luaayana\"><strong>Lu\u00e3 Ayo<\/strong><\/a>: Experimentador art\u00edstico, Lu\u00e3 Ayo Ayana \u00e9 um transmasculino nb preto residente na ZL de S\u00e3o Paulo. \u00c9 transmutador t\u00eaxtil, maquiador, arte-educador, m\u00fasico e aventureiro da culin\u00e1ria. Em seus trabalhos busca subverter atrav\u00e9s do lixo\/luxo e descarte t\u00eaxtil os padr\u00f5es de beleza (harmonia, simetria e propor\u00e7\u00e3o) criados atrav\u00e9s da coloniza\u00e7\u00e3o para assim investigar e trazer sua ancestralidade\/futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Quando a arte te encontrou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lu\u00e3 <\/strong><strong>Ayo<\/strong><strong>:<\/strong> Eu sempre fui uma crian\u00e7a diferenciada, eu diria. A minha m\u00e3e sempre desenhou muito comigo nas paredes de casa mesmo, para me desenvolver tamb\u00e9m, j\u00e1 fiz muita boneca com a minha av\u00f3 de sabugo de milho. Ent\u00e3o, acho que sempre tive essa vis\u00e3o art\u00edstica me acompanhando tamb\u00e9m, sempre gostei muito de experimentar as coisas de pintar e depois que fiquei mais velho, isso veio de outras formas pra mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Vitos<\/strong>: Para mim \u00e9 mais como se eu tivesse nascido com ela e tivesse se revelado. Sabe um v\u00e9u que vai se revelando, vai se definindo, alguns caminhos, algumas ideias, alguns conceitos. Acho que \u00e9 isso, \u00e9 algo que eu revivo dentro de mim, sinto como se realmente fosse algo ancestral, sabe?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Como \u00e9 ser transmasculino vivendo de arte na periferia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lu\u00e3: <\/strong>Nossa, \u00e9 babado, eu ainda sinto que a identidade transmasculina \u00e9 muito apagada, em muitos lugares, inclusive na periferia, infelizmente. Mas, tento lutar, n\u00e3o sei se lutar \u00e9 a palavra exata pra isso, n\u00e9? Mas, pra que as pessoas me enxerguem, enxerguem pessoas como eu, assim, dentro dos espa\u00e7os de v\u00e1rias formas. Ando vendo bastante disso nas feiras que eu t\u00f4 fazendo, principalmente como isso \u00e9 enxergado, ou nos lugares que as coisas acontecem, \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil ver pessoas transmasculinas aparecendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E isso faz muita falta, e falta de refer\u00eancia tamb\u00e9m e a\u00ed acaba que a gente tem que ser nossa pr\u00f3pria refer\u00eancia, muitas vezes, em v\u00e1rios espa\u00e7os ou ser a \u00fanica pessoa ali, como uma cota, sabe? Isso tamb\u00e9m acaba que nesse lugar \u00e9 muito dif\u00edcil a gente conseguir algum tipo de respeito com a nossa identidade. Tem que se esfor\u00e7ar muito, principalmente se a gente n\u00e3o t\u00e1 inserido em um padr\u00e3o de masculinidade esperado, fica muito mais babado de se colocar. Mas, ao mesmo tempo, eu me sinto muito gratificado por ser um transmasculino na periferia e por estar sendo uma refer\u00eancia tamb\u00e9m. Por ter as refer\u00eancias que eu tenho das pessoas que eu conhe\u00e7o. Porque \u00e9 isso, muitas pessoas j\u00e1 me falaram que eu sou refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Vitos<\/strong>: Ah, incr\u00edvel! Eu acho que tem muita coisa para ser explorada, sabe? Tirando toda essa pauta social-resistencialista de como viver \u00e9 dif\u00edcil, tirando toda essa parte, eu acho que a gente vive num lugar muito privilegiado culturalmente. Acho que a diversidade me atravessa em perspectivas de caminhos que talvez eu n\u00e3o teria tra\u00e7ado se eu tivesse me limitado s\u00f3 ao meu imagin\u00e1rio, sabe? Acho que \u00e9 isso, eu me encontro com v\u00e1rios corpos tamb\u00e9m que est\u00e3o na periferia, que s\u00e3o trans, transracializados, e tipo, com essa pauta, com esses di\u00e1logos sobre identidade de g\u00eanero e sobre nossas possibilidades sexuais tamb\u00e9m, acho que tem expandido, tenho mapeado muito mais essas pessoas, principalmente na periferia. S\u00e3o sempre pessoas bem, como eu posso dizer, excepcionais!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Quem s\u00e3o as pessoas que mais consomem o trabalho de voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lu\u00e3 <\/strong><strong>Ayo<\/strong>: S\u00e3o pessoas do meu ciclo mesmo, s\u00e3o outras pessoas trans, outras pessoas racializadas, mas \u00e9 babado porque muitas vezes as pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de consumir o meu trabalho. Ent\u00e3o \u00e0s vezes vai num lugar de troca mesmo, muitas vezes ou de presente, mas mesmo assim ainda s\u00e3o as pessoas que mais compram o meu trabalho, por exemplo, que mais escutam, ou que mais incentivam meu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Vitos<\/strong>: Ah, as pessoas cheirosas, n\u00e9? Que tem bom gosto, que entende minimamente que esse mundo n\u00e3o tem nada de normal, que normalmente s\u00e3o pessoas trans, que entendem essa complexidade, que, na verdade, enxerga, n\u00e9, entender, eu acho que j\u00e1 \u00e9 muita coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&nbsp;Eu converso com as pessoas que consomem minhas artes, e \u00e9 engra\u00e7ado como, \u00e0s vezes, o que a pessoa entende \u00e9 totalmente outra coisa, mas ainda assim t\u00e1 conectado, t\u00e1 ligado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ent\u00e3o, \u00e9 isso, eu acho que minhas obras acabam sendo essa piscina que tamb\u00e9m \u00e9 um espelho, sabe? As pessoas v\u00e3o realmente enxergar o que tem dentro delas e refletir tamb\u00e9m sobre.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Tem alguma dificuldade em expor seu trampo para pessoas fora do nosso ciclo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&nbsp;<strong>Lu\u00e3 Ayo<\/strong>: Eu tenho muita dificuldade em expor o meu trabalho pra fora desse ciclo e tamb\u00e9m de ser valorizado, ser visto nesse trabalho. Todo final de semana eu t\u00f4 expondo a\u00ed, eu vendi, tipo, tr\u00eas pe\u00e7as, no m\u00e1ximo, de quatro feiras que fiz. Muita gente se interessou pelo meu trabalho at\u00e9, mas ningu\u00e9m queria pagar, sei l\u00e1, por uma pe\u00e7a, uma jaqueta que pode ser 150 reais, ou uma cal\u00e7a. Mesmo pensando que aquele processo \u00e9 muito artesanal e eu explicando todo o meu trabalho e como eu fa\u00e7o, mas as pessoas sempre est\u00e3o muito dispostas a pagar esse mesmo pre\u00e7o em uma roupa de <em>fast fashion<\/em>, ou muito mais caro em roupas de grife, ou outras coisas que n\u00e3o s\u00e3o pensadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Vitos<\/strong>: Com certeza, ainda mais que o ve\u00edculo \u00e9 dinheiro, a veicula\u00e7\u00e3o hoje em dia tanto virtual quanto gr\u00e1fico, de qualquer forma, ela tem sido muito extravagante. Digamos que voc\u00ea tem 10 segundos de tela pra convencer algu\u00e9m sobre alguma coisa, sobre qualquer coisa e voc\u00ea tem que ser totalmente extravagante pra voc\u00ea chamar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes, sabe? Porque eu fico muito chocado como eu consigo de uma forma org\u00e2nica ir alcan\u00e7ando as pessoas atualmente.Todas as pessoas que eu vou alcan\u00e7ando, v\u00eam de uma liga\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que j\u00e1 conhece meu trabalho e assim vai se dizimando. \u00c9 isso, porque \u00e9 quest\u00e3o de comunicar, de sentimento, de debater algo com a minha arte e ela se comunica com v\u00e1rias pessoas, n\u00e3o s\u00f3 com pessoas trans. At\u00e9 porque, acho que os debates que abrangem pessoas trans atravessa qualquer corpo, t\u00e1 ligado? N\u00e3o s\u00f3 o corpo trans! Isso acaba bloqueando a gente de ter alguns acessos sobre o nosso pr\u00f3prio corpo, como a gente \u00e9 colocado numa caixa e totalmente vinculado a s\u00f3 assistir e vivenciar o que t\u00e1 dentro daquela caixa. Querendo ou n\u00e3o, \u00e9 um ciclo de pessoas que eu acabo alcan\u00e7ando ali dentro da minha bolha. Isso tamb\u00e9m dificulta a gente acessar essas outras caixas e tal, mas \u00e9 interessante, esses acessos costumam acontecer, ainda mais na internet.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0006-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-472\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0006-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0006-300x200.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0006-768x512.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0006-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG-20240625-WA0006.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Quais s\u00e3o suas refs e o que inspira voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Vitos<\/strong>: O afrofuturismo. Quando a gente fala de afrofuturismo, parece que estamos falando, sei l\u00e1, de m\u00e1quinas no futuro, eu acho que eu aplico muito mais nesse conceito de Sankofa que \u00e9 um prov\u00e9rbio africano do povo de Ghana, que fala sobre resgatar o passado para construir o futuro. As pessoas acham que tudo \u00e9 atual, tudo \u00e9 do moderno, nada vem sendo constru\u00eddo, nada \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o, sabe as pessoas se enganam. As minhas refer\u00eancias, elas j\u00e1 existem, tudo que eu vou construir, ou j\u00e1 constru\u00ed, sempre existiu. Acho que a minha contribui\u00e7\u00e3o, ela vem de uma evolu\u00e7\u00e3o de muitas ideias, que permeiam o universo, mas, no geral, de nomes, eu acho que est\u00e1 bem ligado \u00e0 cultura preta, da di\u00e1spora africana, no geral. Ela fala sobre afrofuturismo, tanto na linguagem gr\u00e1fica, quanto na linguagem musical Acho que artistas gr\u00e1ficos, meus amigos, t\u00eam sido bastante refer\u00eancia pra mim. O Nerinho, o Isaac, o Akot\u00e9, o Eunico, o Tamu, que \u00e9 um tatuador muito foda. Uma grande refer\u00eancia preta a\u00ed na hist\u00f3ria da tatuagem, t\u00e1 ligado? Eu acho que eu t\u00f4 rodeado de mentes brilhantes, que s\u00e3o t\u00e3o modernas quanto ancestrais, pra mim, acho que essas t\u00eam sido minhas refer\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lu\u00e3 Ayo<\/strong>: Nesse meio trans das artes, no geral, eu acho que eu gosto de estar com a galera, das artes visuais, que faz de tudo. Dentro da m\u00fasica, dentro da moda, mas sempre com pessoas parecidas comigo, porque a\u00ed os trampos conversam mais, as pessoas compreendem mais o que a gente t\u00e1 fazendo ali, \u00e9 muito mais f\u00e1cil de se comunicar. Olha, tanta gente no meu meio, eu acho que as pessoas que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas de mim s\u00e3o as que mais me inspiram. Pessoas que est\u00e3o \u00e0 minha volta, basicamente, todas as pessoas que criam arte, s\u00e3o as minhas refer\u00eancias e s\u00e3o o que eu mais inspiro, seja na m\u00fasica, nas artes visuais, na moda. Amo observar esses movimentos e tamb\u00e9m os movimentos cotidianos, tipo, as pessoas s\u00e3o muita refer\u00eancia pra mim, observar as pessoas, o comportamento delas, como elas fazem as coisas, me d\u00e1 muita inspira\u00e7\u00e3o pra criar a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Como voc\u00eas enxergam seu corre art\u00edstico e se imagina nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Vitos<\/strong>: Atualmente, eu coloquei um investimento 100% da minha vida nisso, porque a gente quando vem desse desses recortes sociais, acaba tendo que fazer uma escolha para viver de arte. E \u00e9 um caminho que normalmente n\u00e3o \u00e9 posto para gente. Como uma ideia, como uma possibilidade. Acho que o desafio dentro disso tudo, para mim, tem sido entender uma forma jur\u00eddica de me colocar como uma pessoa e um profissional. N\u00e3o s\u00f3 uma pessoa que se exponha artisticamente, mas que entende esses processos tamb\u00e9m, para que eu n\u00e3o tropece! Acho que atualmente eu me vejo expandindo, ferramentas, lugares e vivenciando o lazer mesmo entendendo minha alimenta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lu\u00e3 <\/strong><strong>Ayo<\/strong>: Olha, t\u00e1 dif\u00edcil ser artista hoje em dia, ent\u00e3o t\u00e1 dif\u00edcil de imaginar muita coisa, mas eu boto m\u00f3 ax\u00e9 nas coisas que eu fa\u00e7o. Ent\u00e3o, me imagino ganhando muito dinheiro, que eu quero ganhar dinheiro com a arte, eu tenho muitas ideias de muitos projetos e cria\u00e7\u00f5es de coisas. Eu me imagino em exposi\u00e7\u00f5es e sendo contratado pra palestrar, e criando cursos e oficinas nesse mundo da arte, da moda, da m\u00fasica, criando coletivamente. Tamb\u00e9m tenho muita vontade, mas tenho muita dificuldade de achar pessoas que queiram criar coletivamente tamb\u00e9m. At\u00e9 porque, t\u00e1 cada um no seu corre, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil se encontrar pra fazer isso, principalmente quando n\u00e3o tem dinheiro envolvido, n\u00e9? Ah, eu me vejo assim, em muitos lugares, de acesso, mas tamb\u00e9m de transmuta\u00e7\u00e3o. Acredito que a minha arte ainda vai se transmutar muito, eu vou descobrir muita coisa sobre mim mesma.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:15% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"767\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Copia-de-Nero--767x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-475 size-full\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Copia-de-Nero--767x1024.jpg 767w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Copia-de-Nero--225x300.jpg 225w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Copia-de-Nero--768x1025.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Copia-de-Nero-.jpg 777w\" sizes=\"(max-width: 767px) 100vw, 767px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Nero Santos (23) | Campo Limpo&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Artista visual, cria do Pq Regina, transmasculino, que faz da arte sua morada desde os 13 anos de idade, desde ent\u00e3o vem colorindo o seu mundo imagin\u00e1rio, expondo tudo o que sente em arte, transpassando o mundo na sua vis\u00e3o!<br>Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/imagi_nero\/\">@imagi_nero<\/a><\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nero Santos A gente cria\/constr\u00f3i imagin\u00e1rios sociais todos os dias, em busca de ser sobrevivente, o protagonismo de pessoas transmasculinas na arte perif\u00e9rica \u00e9 sobre ocupar, persistir reinventar o modo de fazer arte, movimentando nosso rol\u00ea, curtindo sem se afogar, lembrando sempre que nossos corpos dissidentes j\u00e1 s\u00e3o reconhecidos, por\u00e9m, apagados numa sociedade que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sb_editor_width":"","footnotes":""},"categories":[13,22],"tags":[23],"class_list":["post-470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-juventudes","tag-territorio-da-noticia"],"relative_dates":{"created":"2 anos ago","modified":"2 anos ago"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=470"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":485,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470\/revisions\/485"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}