{"id":384,"date":"2024-08-19T19:38:50","date_gmt":"2024-08-19T22:38:50","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=384"},"modified":"2024-09-12T13:25:09","modified_gmt":"2024-09-12T16:25:09","slug":"marginalizacao-da-imagem-periferica-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/19\/marginalizacao-da-imagem-periferica-no-cinema\/","title":{"rendered":"Marginaliza\u00e7\u00e3o da imagem perif\u00e9rica no cinema\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"841\" class=\"wp-image-385\" style=\"width: 1500px;\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cidade_de_deus-17971592.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cidade_de_deus-17971592.jpg 1920w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cidade_de_deus-17971592-300x168.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cidade_de_deus-17971592-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cidade_de_deus-17971592-768x430.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/cidade_de_deus-17971592-1536x861.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/cdn.folhape.com.br\/img\/pc\/450\/450\/dn_arquivo\/2024\/02\/image-18.jpg\"><small>Filme &#8220;Cidade de Deus&#8221; foi lan\u00e7ado em 2002\u00a0&#8211;\u00a0<em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/small><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">O que merece e n\u00e3o merece ser visto pela sociedade e pela verdade encoberta pelo sensacionalismo? As periferias e favelas s\u00e3o retratados pela m\u00eddia tradicional como lugares marginalizados, refor\u00e7ando o imagin\u00e1rio popular de quem n\u00e3o est\u00e1 no dia a dia destes locais, como se houvesse apenas tr\u00e1fico de drogas, viol\u00eancia, prostitui\u00e7\u00e3o e pessoas pobres, que n\u00e3o batalharam o suficiente para ter uma vida que merecem.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Vou te mostrar como o cinema ajudou com que esses estere\u00f3tipos sobre a periferia seguissem sendo perpetuados, por anos ap\u00f3s anos, dentro do imagin\u00e1rio dos brasileiros e do resto do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Com mais de 56 milh\u00f5es de brasileiros vivendo nas periferias urbanas, onde suas hist\u00f3rias n\u00e3o s\u00e3o contadas pelos pr\u00f3prios, mas sim por pessoas que as contratam, o cinema \u00e9 uns dos tipos de comunica\u00e7\u00e3o mais influentes, que pode mudar a opini\u00e3o de um pa\u00eds inteiro sobre um determinado assunto, em um estalar de dedos, \u00e9 uma grande arma de propaga\u00e7\u00e3o cultural e social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">O objetivo dessa s\u00e9tima arte \u00e9 representar o real de v\u00e1rias formas, ou n\u00e3o t\u00e3o reais assim, e quando voc\u00ea \u00e9 o alvo dessas m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es cobertas de estere\u00f3tipos, onde ganham rios de dinheiro com a supervaloriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, das periferias, marginalizando ainda mais esses locais e dos moradores de modo generalizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Quando falamos de periferias sempre lembramos de um lugar sujo, pobre e violento, onde indiv\u00edduos, normalmente nordestinos e pretos, vivem \u00e0 margem da sociedade lutando pelo p\u00e3o de cada dia. Obras como Cidade de Deus e Tropa de Elite, enfatizam isso mesmo.&nbsp; <strong>At\u00e9 com uma boa representa\u00e7\u00e3o<\/strong> dos moradores do local, com um elenco que inclui pessoas da pr\u00f3pria comunidade <strong>como em Cidade de Deus, ainda, sim, refor\u00e7am <\/strong>o estere\u00f3tipo de viol\u00eancia da cidade do Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Mesmo se passando no Rio de Janeiro e n\u00e3o em uma periferia de S\u00e3o Paulo, vejo muitas similaridades entre as retrata\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Em 1996 a imprensa tradicional brasileira apelidou os distritos do Cap\u00e3o Redondo, Jardim \u00c2ngela e Jardim S\u00e3o Luiz de \u201cTri\u00e2ngulo da morte\u201d. A ONU (organiza\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas) declarou o Jardim \u00c2ngela o bairro mais perigoso do mundo, por cauda da maior taxa de homic\u00eddios por 100 mil habitantes de todo o mundo. Com isso n\u00e3o vejo muita diferen\u00e7a entre a hist\u00f3ria do filme Cidade de Deus e a realidade da \u00e9poca nessa regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">O sensacionalismo \u00e9 um combust\u00edvel que chama aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, que tem sua aten\u00e7\u00e3o acordada pela porradaria que existe em filmes que utilizam as periferias, comunidades, favelas como cen\u00e1rio, colocando como se esses lugares mais pobres fossem extremamente brutais e sem humanidade. Muitas vezes, sem dizer uma palavra, apenas induzindo nosso subconsciente a entender que tudo que est\u00e1 dentro deste lugar deve ser rejeitado, principalmente, os moradores que em sua maioria s\u00e3o trabalhadores tentando dar um futuro melhor \u00e0s suas fam\u00edlias. Lembrando que muitos desses filmes retratam a viol\u00eancia de forma grotesca e exagerada, tanto pela escolha de fotografia mais \u201csuja\u201d, pela angula\u00e7\u00e3o de c\u00e2mera mais fria, roteiro mais padr\u00e3o, figurinos sujos de sangue, as express\u00f5es dos atores e o comportamento dos seus personagens, passam esse estere\u00f3tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Esses estere\u00f3tipos est\u00e3o t\u00e3o impregnados na nossa sociedade que at\u00e9 os mesmo aqueles que s\u00e3o objetos desse olhar, refor\u00e7am a narrativa de pessoas marginalizadas e violentas, como o cinema e outras m\u00eddias tentam passar. Essa imagem pr\u00e9-estabelecida \u00e9 repassada h\u00e1 anos pelos mesmos ve\u00edculos, que querem exatamente refor\u00e7ar esse imagin\u00e1rio, esses v\u00ednculos n\u00e3o est\u00e3o inseridos nessas realidades, internalizando a mensagem passada. Os telespectadores absorvem o que \u00e9 transmitido por essas m\u00eddias, influenciando direta ou indiretamente na opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Entretanto, com o passar dos anos essas representa\u00e7\u00f5es est\u00e3o cada vez menos presentes no cinema, sem as caricaturas ultrapassadas, pois com a chegada e acesso dos produtores de audiovisual perif\u00e9ricos na cultura e, principalmente, no cinema, tem finalmente colocado os protagonistas das pr\u00f3prias hist\u00f3rias e viv\u00eancias nessas produ\u00e7\u00f5es, colocando de forma apropriada a verdade desses locais. Existem v\u00e1rios coletivos que lutam pelo cinema mais democr\u00e1tico, como lugares como o Bloco do Beco, F\u00e1bricas de Cultura, Casas de Cultura entre outros que t\u00eam projetos de cinema feito por pessoas perif\u00e9ricas. Que sejam cada vez mais!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">*****<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Meii<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Estudante de 18 anos, cursando o seu \u00faltimo ano do Ensino M\u00e9dio, \u00e9 apaixonada por artes desde crian\u00e7a. Nasceu e cresceu no Cap\u00e3o Redondo, atualmente \u00e9 estudante de m\u00fasica, cenografia, moda e audiovisual focado no cinema. Tamb\u00e9m tem um podcast chamado Click Colagem, onde analisa obras art\u00edsticas com outros convidados.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filme &#8220;Cidade de Deus&#8221; foi lan\u00e7ado em 2002\u00a0&#8211;\u00a0Foto: Divulga\u00e7\u00e3o O que merece e n\u00e3o merece ser visto pela sociedade e pela verdade encoberta pelo sensacionalismo? 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