{"id":1381,"date":"2025-08-19T06:43:38","date_gmt":"2025-08-19T09:43:38","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=1381"},"modified":"2025-08-19T09:39:28","modified_gmt":"2025-08-19T12:39:28","slug":"pixacao-ato-de-criminalizacao-permanencia-e-disputa-por-espaco-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/08\/19\/pixacao-ato-de-criminalizacao-permanencia-e-disputa-por-espaco-urbano\/","title":{"rendered":"Pixa\u00e7\u00e3o: ato de criminaliza\u00e7\u00e3o, perman\u00eancia e disputa por espa\u00e7o urbano"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"718\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1382\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5.jpeg 680w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5-284x300.jpeg 284w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Pixador sobre escada realiza inscri\u00e7\u00f5es em parede j\u00e1 ocupada por pixos e lambe-lambes religiosos. \u2013 Foto: P\/SP*Osso \/ acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por Maia Aiello<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEnquanto existirem muros, existir\u00e3o as pixa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p> A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de P\/SP*Osso, pixador desde 1985, morador do Graja\u00fa, Zona Sul de S\u00e3o Paulo, e um dos mais antigos da cidade. Com quatro d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o, ele acompanhou de perto a consolida\u00e7\u00e3o do pixo como pr\u00e1tica cultural nas periferias paulistanas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, regi\u00e3o marcada por menor presen\u00e7a de equipamentos culturais e servi\u00e7os p\u00fablicos em compara\u00e7\u00e3o com \u00e1reas centrais, a pixa\u00e7\u00e3o continua presente como forma de express\u00e3o entre grupos de jovens das periferias. Mesmo sendo criminalizada por legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, alvo de campanhas institucionais e amplamente rejeitada por setores da sociedade, a pr\u00e1tica se mant\u00e9m ativa nos muros, marquises, fachadas e viadutos da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pixa\u00e7\u00e3o surgiu em S\u00e3o Paulo no in\u00edcio dos anos 1980, em di\u00e1logo com o movimento punk rock e rock and roll, com o surgimento de bandas de garagem e outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais da juventude da \u00e9poca. Diferentemente do grafite \u2014 que ganha reconhecimento institucional quando autorizado ou inserido em contextos oficiais, como murais e projetos culturais \u2014, o pixo se consolidou como uma pr\u00e1tica radicalmente marginal, coletiva, an\u00f4nima e de acesso direto \u00e0 rua. Mesmo o grafite, quando feito sem permiss\u00e3o, ainda \u00e9 criminalizado e tratado como vandalismo pelas autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na capital paulista, o estilo \u00e9 marcado por letras verticais, muitas vezes ileg\u00edveis para quem est\u00e1 fora do movimento, tra\u00e7adas com tintas variadas, como l\u00e1tex e spray. Cada conjunto de letras representa um grupo, uma \u00e1rea da cidade ou o nome de \u201cguerra\u201d do pixador. Al\u00e9m do conte\u00fado, o local onde a inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 feita \u00e9 determinante: quanto maior for a visibilidade e a dificuldade de acesso, maior o prest\u00edgio da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica envolve risco, planejamento e reconhecimento entre os envolvidos. O ato de pixar em locais altos ou de dif\u00edcil acesso costuma ser mais valorizado do que a pr\u00f3pria mensagem escrita. Esse c\u00f3digo interno refor\u00e7a os la\u00e7os entre os pixadores e organiza uma l\u00f3gica pr\u00f3pria, paralela ao que se entende como arte ou express\u00e3o cultural formalizada. \u201cA pixa\u00e7\u00e3o apaga, mas a amizade fica\u201d, resume Osso, destacando que, mesmo que os muros sejam cobertos, os v\u00ednculos entre os praticantes permanecem.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pixa\u00e7\u00e3o \u00e9 enquadrada como crime ambiental e ato de vandalismo, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira. A Lei de 1998 de n\u00ba 9.605 prev\u00ea pena de deten\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses a um ano, al\u00e9m de multa para quem pixar edifica\u00e7\u00f5es ou monumentos urbanos. Al\u00e9m disso, a pr\u00e1tica pode ser interpretada como crime de dano, segundo o C\u00f3digo Penal, com penas que variam conforme a gravidade do caso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a repress\u00e3o se intensificou com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2007. Voltada originalmente \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de publicidade excessiva, a legisla\u00e7\u00e3o passou a ser utilizada tamb\u00e9m como instrumento de combate ao pixo nos espa\u00e7os urbanos, e mais recentemente o &#8220;Projeto Cidade Linda&#8221;, implementado em janeiro de 2017 e liderado por Jo\u00e3o Doria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es se concentram com mais intensidade em \u00e1reas perif\u00e9ricas, onde a pixa\u00e7\u00e3o \u00e9 frequente. Em muitos casos, o combate \u00e0 pr\u00e1tica envolve a remo\u00e7\u00e3o imediata das inscri\u00e7\u00f5es, aplica\u00e7\u00e3o de multas e refor\u00e7o da vigil\u00e2ncia, o que limita o uso desses espa\u00e7os por grupos que atuam fora das normas convencionais de ocupa\u00e7\u00e3o urbana.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Pixa\u00e7\u00e3o: linguagem pol\u00edtica e disputa pelo espa\u00e7o urbano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, a pixa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma linguagem forjada na exclus\u00e3o social e na aus\u00eancia de representatividade. Para quem a pratica, marcar os muros da cidade \u00e9 afirmar uma identidade frequentemente invisibilizada, ocupando \u00e0 for\u00e7a espa\u00e7os que historicamente os exclu\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara a sociedade a pixa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bem vista, porque s\u00e3o s\u00f3 paredes sujas e muitas vezes eles nem entendem o que est\u00e1 escrito l\u00e1. Mas, pros pixadores, tem outros significados\u201d, explica Osso. Ele ainda destaca que o objetivo do pixador n\u00e3o \u00e9 transformar o ato em arte: \u201cO pixador n\u00e3o quer que o ato dele seja considerado arte. Ele \u00e9 um transgressor, ele quer mostrar pra sociedade que ele existe, que \u00e9 audacioso\u201d, completa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o pixo seja ocasionalmente rotulado como \u201carte urbana\u201d por observadores externos, muitos praticantes n\u00e3o se identificam com essa classifica\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pensada como arte ou interven\u00e7\u00e3o est\u00e9tica: para alguns pixadores, trata-se de um ato transgressor que busca afirmar a pr\u00f3pria exist\u00eancia diante de uma cidade que frequentemente os invisibiliza.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, \u00e9 comum ver siglas e c\u00f3digos espalhados por muros residenciais, passarelas e pr\u00e9dios abandonados. Essas inscri\u00e7\u00f5es funcionam como meio de comunica\u00e7\u00e3o entre grupos e tamb\u00e9m como afirma\u00e7\u00e3o territorial. O pixo torna-se, assim, uma resposta direta ao apagamento das identidades perif\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica vai al\u00e9m da ideia de \u201crebeldia adolescente\u201d. H\u00e1 nomes que atravessam d\u00e9cadas nos muros da cidade, levados por pessoas que come\u00e7aram a pixar na juventude e seguem na pr\u00e1tica aos 40, 50 anos ou mais. \u201cPessoas que \u00e0s vezes come\u00e7aram l\u00e1 na adolesc\u00eancia e sempre quiseram deixar sua marca, e mesmo passando d\u00e9cadas continuam pixando para dar um sinal de vida e mostrar que ainda est\u00e3o na ativa\u201d, diz Osso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A disputa pelo espa\u00e7o \u00e9 simb\u00f3lica e f\u00edsica. Ao intervir em locais de grande circula\u00e7\u00e3o ou de dif\u00edcil acesso, os pixadores rompem com o sil\u00eancio imposto \u00e0s margens da cidade. Em uma regi\u00e3o marcada pela car\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e pela aus\u00eancia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, o muro se converte em ve\u00edculo alternativo de express\u00e3o coletiva. O tra\u00e7o preto, cont\u00ednuo e repetido, \u00e9 o registro da exist\u00eancia de sujeitos e territ\u00f3rios frequentemente ignorados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em oposi\u00e7\u00e3o a uma cidade cada vez mais regulada e higienizada, a pixa\u00e7\u00e3o prop\u00f5e um modelo de ocupa\u00e7\u00e3o espont\u00e2neo, direto e insurgente. Os muros se tornam mapas da resist\u00eancia, onde se desenham outros modos de viver, circular e deixar marcas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A cidade apagada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o urbana tamb\u00e9m t\u00eam sido utilizados como estrat\u00e9gia de remo\u00e7\u00e3o da pixa\u00e7\u00e3o. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, a revaloriza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de regi\u00f5es urbanas envolve a pintura de fachadas e muros onde antes havia inscri\u00e7\u00f5es, sem considerar pr\u00e1ticas culturais que j\u00e1 ocupavam esses espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 remo\u00e7\u00e3o, as marcas da pixa\u00e7\u00e3o seguem aparecendo nos espa\u00e7os urbanos. A pr\u00e1tica continua presente, mesmo ap\u00f3s iniciativas de limpeza ou revitaliza\u00e7\u00e3o, refletindo a continuidade dessa forma de interven\u00e7\u00e3o. Esse ciclo de remo\u00e7\u00e3o e apari\u00e7\u00e3o evidencia um contraste entre diferentes formas de uso e apropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcgNmXvA6psb2B7WOSDcndW77T2UwPtKrOtVlmCp7PvePTiXWjNHvwUbQ0Vn0G1sxlH3z3nQ09YmojT6Z0jKSvewvbJum5rBCbzQtWF8pb7WEVCA_IPzGcwwyZ3y1s-dnAQdVjS?key=mQ4_9354OSXfyu89qF6FaA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Pixa\u00e7\u00e3o \u00e0s margens do rio Tiet\u00ea na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, com reflexo na \u00e1gua que refor\u00e7a a ocupa\u00e7\u00e3o visual do espa\u00e7o urbano. \u2013 Foto: P\/SP*Osso \/ acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da constante repress\u00e3o e do estigma social, a pixa\u00e7\u00e3o segue viva como um estilo de vida na Zona Sul de S\u00e3o Paulo e uma forma leg\u00edtima de express\u00e3o e enfrentamento. Mais do que interven\u00e7\u00e3o visual, ela expressa uma disputa por voz e visibilidade em uma cidade marcada por contrastes. Ao ocupar fachadas, muros e estruturas urbanas com c\u00f3digos pr\u00f3prios, os pixadores rompem com o apagamento e reafirmam a exist\u00eancia de corpos e territ\u00f3rios historicamente marginalizados. O que para alguns \u00e9 ru\u00eddo visual, para outros \u00e9 linguagem, protesto e perman\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pixador sobre escada realiza inscri\u00e7\u00f5es em parede j\u00e1 ocupada por pixos e lambe-lambes religiosos. \u2013 Foto: P\/SP*Osso \/ acervo pessoal Por Maia Aiello \u201cEnquanto existirem muros, existir\u00e3o as pixa\u00e7\u00f5es\u201d. 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