{"id":1365,"date":"2025-08-12T12:30:28","date_gmt":"2025-08-12T15:30:28","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=1365"},"modified":"2025-08-12T12:34:45","modified_gmt":"2025-08-12T15:34:45","slug":"terreiros-como-espacos-de-preservacao-da-cultura-e-identidade-afro-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/08\/12\/terreiros-como-espacos-de-preservacao-da-cultura-e-identidade-afro-indigena\/","title":{"rendered":"Terreiros como espa\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o da cultura e identidade afro-ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1366\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-300x200.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-768x512.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Templo Caboclo Itarob\u00e1 das 7 Montanhas. Foto: Nego J\u00fanior<\/p>\n\n\n\n<p><em>Por \u00c1gapy<\/em><br><br>\u201cVoc\u00ea sente um acolhimento ali dentro, mas voc\u00ea n\u00e3o pode passar constantemente dentro daquela \u2018c\u00fapula\u2019 que \u00e9 a sua religi\u00e3o, ent\u00e3o voc\u00ea tem que sair. Por mais que seja dif\u00edcil ter essa responsabilidade l\u00e1 dentro e todos ao meu redor tentando me ensinar&#8221;, foi o que nos disse o Babaloris\u00e1 Lucas ty Oxumare, sobre ter sido uma crian\u00e7a criada dentro de uma casa de ax\u00e9. \u201cSair daquilo e ver todo mundo falando o contr\u00e1rio, que \u00e9 errado, \u00e9 muito mais conflitante do que voc\u00ea ter ali sua responsabilidade de pegar o igb\u00e1 do seu santo, acender uma vela e colocar uma \u00e1gua na sua quartinha\u201d, completou o Babaloris\u00e1, que \u00e9 o sacerdote nas religi\u00f5es afro-brasileiras.<br><br>Desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil por Portugal, os ind\u00edgenas sofriam com a escraviza\u00e7\u00e3o, mas uma s\u00e9rie de fatores fez a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena come\u00e7ar a diminuir. A viol\u00eancia dessa escraviza\u00e7\u00e3o, foi um fator determinante. Mas, o mais relevante foi a quest\u00e3o biol\u00f3gica, uma vez que os ind\u00edgenas n\u00e3o possu\u00edam anticorpos contra doen\u00e7as que chegaram com os portugueses, como a var\u00edola.<br>O entendimento dos historiadores, atualmente, a respeito desse assunto \u00e9 que a escassez da m\u00e3o de obra ind\u00edgena e a instala\u00e7\u00e3o de um neg\u00f3cio que tinha alta demanda (a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar), gerou uma demanda por mais m\u00e3o de obra. E os comerciantes portugueses, identificando essa necessidade, ampliaram o tr\u00e1fico negreiro a dimens\u00f5es gigantescas.<\/p>\n\n\n\n<p><br><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/pesquisa-americana-indica-que-o-rio-recebeu-2-milhoes-de-escravos-africanos\/\">Na Universidade de Emory, em Atlanta<\/a>, foi realizado um estudo que estimou que 4,8 milh\u00f5es de africanos foram trazidos para o Brasil durante o per\u00edodo da escravid\u00e3o, representando o maior n\u00famero de pessoas escravizadas em qualquer pa\u00eds das Am\u00e9ricas.\u00a0\u00a0<br>O tr\u00e1fico de pessoas escravizadas foi de 1539 at\u00e9 1850, o que resultou na chegada for\u00e7ada de milh\u00f5es de pessoas oriundas de diferentes regi\u00f5es da \u00c1frica para o Brasil. Ao chegarem for\u00e7osamente, al\u00e9m da l\u00edngua e cultura, estes povos trouxeram consigo tamb\u00e9m suas cren\u00e7as. As cren\u00e7as e rituais africanos originaram religi\u00f5es como o Candombl\u00e9 e a Umbanda, atualmente praticadas em todo pa\u00eds.<br>Entender as origens dessas religi\u00f5es \u00e9 entender tamb\u00e9m nossa hist\u00f3ria, os povos que nos formam e como suas cren\u00e7as resistem e s\u00e3o preservadas dentro dos terreiros at\u00e9 hoje.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Retomando nossa cultura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br><a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/sociais\/saude\/22827-censo-demografico-2022.html\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/sociais\/saude\/22827-censo-demografico-2022.html\">O Censo Demogr\u00e1fico 2022 do IBGE<\/a> (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), revelou um aumento significativo no n\u00famero de adeptos das religi\u00f5es de matriz africana no Brasil, como Umbanda e Candombl\u00e9. A propor\u00e7\u00e3o de pessoas que se declararam praticantes dessas religi\u00f5es mais que triplicou, passando de 0,3% em 2010 para 1% da popula\u00e7\u00e3o em 2022. Isso representa um crescimento de 1.849.824 pessoas. Segundo os t\u00e9cnicos do IBGE, o crescimento se explica porque mais gente passou a explicitar sua f\u00e9, que historicamente encontrou resist\u00eancia em territ\u00f3rio brasileiro.<br><br>Conversando com algumas pessoas a respeito dos terreiros serem espa\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o da identidade e cultura afro-ind\u00edgena, me deparo com essa frase cir\u00fargica da Ekedji Isabela ty Oxumare, do Ile Opo Meje Osumare ty Ogum.<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPra mim, \u00e9 muito mais enriquecedor para quem eu sou. Porque, pra al\u00e9m de estar em um espa\u00e7o onde eu posso praticar a minha f\u00e9, eu estou em um espa\u00e7o onde eu posso praticar quem eu sou e de onde eu vim. Ent\u00e3o, pra al\u00e9m de cultuar os orix\u00e1s e as entidades, eu tamb\u00e9m cultuo a minha ancestralidade. Eu cultuo as minhas mais velhas, carrego as for\u00e7as das rezas delas. As rezas embaixo da jurema, as rezas embaixo de sol quente. Tamb\u00e9m carrego elas comigo\u201d, contou a Ekedji, que nas religi\u00f5es de matriz africana \u00e9 uma mulher respons\u00e1vel por zelar pelos orix\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdrzTvlvdbNo10Tt5nCUwpMQElB7lgX3aQ6RRac2I_OC3SBABZ7BMb1KAaKrVMVL7pUu7YDCsQI6hG_-Bf6ddMtZAvRjYy8Tyd34waLaveVMYpM7HTowU5_JK3TK_IlkaT9KSJc?key=Ess6MEzQODoPhSpQbG2EzA\" alt=\"\"\/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><br>Residente na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, Cap\u00e3o Redondo. Isabela se descreve como fot\u00f3grafa amadora da favela, poetisa desde nascimento, curiosa, cabocla em di\u00e1spora e curumim de m\u00e3e Osun. Sendo cabocla do povo Fulni-\u00f4, as rezas, os ensinamentos sobre ervas e o contato com a espiritualidade sempre estiveram presentes em sua cria\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio da fase adulta, come\u00e7a a frequentar terreiros de candombl\u00e9 de na\u00e7\u00e3o Ketu e finca ra\u00edzes no Il\u00e9 Opo Meje Osumare ty Ogum.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Ekedji Isabela ty Oxumare. Foto: Acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAcho que estar num espa\u00e7o, onde n\u00e3o cultuam os povos origin\u00e1rios, n\u00e3o traria pra mim algum tipo de respeito em rela\u00e7\u00e3o ao meu corpo. Tanto da vis\u00e3o deles, quanto da minha vis\u00e3o comigo mesma. Acho que tamb\u00e9m n\u00e3o seria justo comigo mesma, estar num espa\u00e7o onde eu cultuo os mais velhos que vieram de outra terra e n\u00e3o cultuar os mais velhos que vieram da minha pr\u00f3pria terra\u201d, afirma Isabela.\u00a0<br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A Ekedji ainda completa: \u201cOnde entra o contexto desses povos trazidos para c\u00e1, tiveram essa influ\u00eancia dos povos origin\u00e1rios? Onde entram os conhecimentos que eles dividiram? Os conhecimentos que foram nascidos a partir dessa mistura, a partir de, tipo, duas na\u00e7\u00f5es completamente diferentes e que nem falavam o mesmo idioma, que puderam ali se ajudar e compartilhar do que sabiam. Seja com as ervas ou saberes de como entrar no meio da mata, o que cada coisa podia ser ingerida e o que n\u00e3o podia, sabe?! E porque eu colocaria o meu corpo nesse contexto, que j\u00e1 sofre constantemente com o olhar alheio de julgamento e apagamento?! Eu j\u00e1 tenho que lidar com o contexto urbano, que \u00e9, ou as pessoas fazendo pouco caso da minha identidade ou desacreditando\u201d, conclui.<br><br>Sendo uma mulher cabocla, Isabela traz outra perspectiva sobre como \u00e9 carregar sua identidade com ra\u00edzes ind\u00edgenas, estando dentro de um terreiro. Indaga que em muitas partes a religi\u00e3o a ajudou muito a se entender e a entender a sua identidade. Em sua trajet\u00f3ria dentro do ax\u00e9, encontrou no candombl\u00e9 de na\u00e7\u00e3o Ketu, um espa\u00e7o onde poderia se aproximar mais das suas ra\u00edzes origin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdG1JM5ugo7VqKeuU_csmqqboMoDaxq0R0Jh-eWShmEFGl_VPGG7GdLocod67LohUnBaXIv5cEDvmjKdCljmqhYqT7tbaPTk0Zkrdxpuu80DOd8pW-Ze6Qcy0-7BEloG3OT0XerBQ?key=Ess6MEzQODoPhSpQbG2EzA\" alt=\"\" style=\"width:734px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Ekedji Isabela com seu Babaloris\u00e0 Lucas ty Oxumare. Foto: Acervo pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Ancestralidade afro-ind\u00edgena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>Os povos do grupo lingu\u00edstico iorub\u00e1, foram respons\u00e1veis por trazer a na\u00e7\u00e3o de Ketu pro Brasil. Foram levados majoritariamente para Bahia, onde se tem registro do primeiro terreiro de candombl\u00e9, Ketu. Bahia, que tamb\u00e9m \u00e9 um dos estados onde se tem a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no pa\u00eds, popula\u00e7\u00e3o que agregou ao candombl\u00e9 Ketu saberes de folhas, uso de outros utens\u00edlios, alimentos nativos, rela\u00e7\u00e3o sagrada com a natureza, pr\u00e1ticas de cura, marac\u00e1s, ervas amaz\u00f4nicas nos rituais, dentre outras coisas e outros conhecimentos. Enraizando esta na\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio brasileiro de forma viva e \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u201cSou caboclo sim,<br>Sou caboclo sou<br>E n\u00e3o abaixo meu rumpante,<br>nem pra porra de sinh\u00f4.\u201d<br>(Cantiga cantada pelo caboclo Pena Dourada, em um toque de na\u00e7\u00e3o Ketu.)\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cFalar de Candombl\u00e9, especialmente do Ketu, e das entidades que nasceram no Brasil, como caboclos, pretos-velhos e baianos, \u00e9 falar da forma como os povos pretos e ind\u00edgenas transformam dor em cultura, apagamento em mem\u00f3ria e opress\u00e3o em ax\u00e9. Quando os primeiros navios negreiros chegaram, vieram orix\u00e1s, vieram idiomas, vieram folhas e rezas. Mas aqui, esse saber ancestral encontrou um outro ch\u00e3o sagrado, o dos povos origin\u00e1rios\u201d, reflete o Babaloris\u00e0 Lucas ty Oxumare.\u00a0<br><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa feita na companhia de Isabela, Ekedji de sua casa, Lucas conta sobre diversas barreiras que precisou enfrentar ainda crian\u00e7a, por ser de religi\u00e3o de matriz africana.<br><br>\u201cFoi muito dif\u00edcil minha m\u00e3e chegar l\u00e1 na escola e falar que eu precisava ficar tr\u00eas meses recolhido, ter que explicar isso foi muito confuso. J\u00e1 acionaram o Conselho Tutelar pra minha m\u00e3e v\u00e1rias vezes. Porque eu tinha que passar tr\u00eas meses l\u00e1 dentro. Nossa, e quando abria as curas?! Voc\u00ea ter que explicar como \u00e9 que seu filho foi todo arranhado pra escola\u201d, conta Babaloris\u00e1 Lucas. \u201cPor mais que seja dif\u00edcil ter essa responsabilidade, todos ao meu redor tentam me ensinar essa responsabilidade, desde os oito anos. Sair daquilo ali e ver todo mundo falando o contr\u00e1rio, que \u00e9 errado, \u00e9 muito mais conflitante\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXeD5R5M4jJ4ScdsNgNkr8DP2KNTBbHt1M22Y8wQVz9KsMdayYDTHwJRfe4RXT9L-U9EGCP5wXvn-tiPcAhUmGcFJhA4hy1gMkm6bt6MoSNY4rYiTRCwkR4iEPPD1XuV20A46gc4?key=Ess6MEzQODoPhSpQbG2EzA\" alt=\"\" style=\"width:819px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Babaloris\u00e0 Lucas ty Osumare. Foto: Acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos dados hist\u00f3ricos a respeito de religi\u00f5es de matrizes africanas, podemos observar como \u00e9 significativo e de extrema resist\u00eancia manter espa\u00e7os designados para a pr\u00e1tica de seus ritos religiosos, os terreiros. E, apesar de enfrentarem barreiras sociais e o racismo religioso, fica evidente como essas pessoas, que vivenciam religi\u00f5es afro-ind\u00edgenas, tamb\u00e9m carregam um papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o de uma cultura. Atrav\u00e9s das casas de ax\u00e9, se louva o sagrado, se aprende sobre os fundamentos, sobre rezas, folhas sagradas. Mas, tamb\u00e9m se aprende uma filosofia de vida, maneiras de cultuar seu pr\u00f3prio Or\u00ed e a hist\u00f3ria de povos que ainda resistem e nos comp\u00f5em enquanto comunidade, e o quanto isso tem influ\u00eancia direta na identidade de pessoas afro-ind\u00edgenas.<br><br>\u201cO que sou eu sem Ogun \u00e0s 5h da manh\u00e3 caminhando pro ponto? O que sou eu sem o meu fio de conta do seu sete? Orando da minha casa at\u00e9 o ponto, porque n\u00e3o tem luz nos postes da minha favela. Como eu, uma mulher de 1,50m, chego no meu ponto pra pegar meu \u00f4nibus e come\u00e7ar meu dia? Com f\u00e9, entende?\u201d, finaiza Ekedji Isabela.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXeWjytgX7tScnYouIMXz0DtaFybnrME7kfEOy1HOMCbVgifX78OswRgPg44u_eX0p6KpYv2qlH3DLeJ7IUEgOnRWK_cdNgh69OAvgH-hgs79c0z7kOhO5IkPTs9I6UMF-buPkY-Hg?key=Ess6MEzQODoPhSpQbG2EzA\" alt=\"\" style=\"width:739px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Registro feito em 2017, na obriga\u00e7\u00e3o de 7 anos do Babaloris\u00e0 Lucas. Na foto, Ogun dan\u00e7a ao lado de Yans\u00e3. Acervo pessoal<em>.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>\u00c1gapy, \u00e9 cabocla Fulni-\u00f4, filha de pais nordestinos, residente do Cap\u00e3o Redondo e artista visual.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa reportagem foi apurada e escrita por uma educanda atrav\u00e9s do programa Clube de Criadores EduCap\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o centrada nos eixos de educomunica\u00e7\u00e3o e territ\u00f3rio, na zona sul de S\u00e3o Paulo. Coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica Rose Martins. Edi\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica Gisele Alexandre. <\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Templo Caboclo Itarob\u00e1 das 7 Montanhas. 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