{"id":1349,"date":"2025-07-28T16:00:12","date_gmt":"2025-07-28T19:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=1349"},"modified":"2025-07-28T16:00:13","modified_gmt":"2025-07-28T19:00:13","slug":"mulheres-de-ca-e-de-la-25-e-31-de-julho-dois-marcos-de-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/07\/28\/mulheres-de-ca-e-de-la-25-e-31-de-julho-dois-marcos-de-resistencia\/","title":{"rendered":"Mulheres de c\u00e1 e de l\u00e1: 25 e 31 de julho, dois marcos de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><mark style=\"background-color:#ff6900\" class=\"has-inline-color\">Coluna Ombala<\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"660\" height=\"786\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0183.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1350\" style=\"width:495px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0183.jpeg 660w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0183-252x300.jpeg 252w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">ADRA &#8211; Ac\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (Angola) 2025. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o <\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Silvia Mungongo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As datas de 25 e 31 de julho representam marcos fundamentais na luta das mulheres negras, tanto na di\u00e1spora quanto no continente africano. Em 25 de julho, celebra-se o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, reconhecido no Brasil tamb\u00e9m como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.<\/p>\n\n\n\n<p>A data \u00e9 dedicada \u00e0 reflex\u00e3o e \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o em torno das desigualdades enfrentadas por essas mulheres, marcando presen\u00e7a com eventos, manifesta\u00e7\u00f5es culturais e debates p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A origem da data<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de julho foi institu\u00eddo em 1992, durante um encontro na Rep\u00fablica Dominicana que reuniu representantes negras de mais de 70 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe. Esse encontro ocorreu no contexto das prepara\u00e7\u00f5es para grandes confer\u00eancias internacionais, como a do Cairo (1994) sobre popula\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, e a de Pequim (1995), sobre os direitos das mulheres. A partir desse evento, formou-se a Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, que fortaleceu o reconhecimento internacional da data.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"953\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0178-953x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1351\" style=\"width:663px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0178-953x1024.jpeg 953w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0178-279x300.jpeg 279w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0178-768x825.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0178.jpeg 1170w\" sizes=\"(max-width: 953px) 100vw, 953px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Foto Cec\u00edlia Mungongo\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O Dia da Mulher Africana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o 31 de julho, Dia da Mulher Africana, foi proclamado em 1962 durante a funda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Africana de Mulheres (PAWO), na Tanz\u00e2nia. A data destaca o protagonismo das mulheres africanas na luta pela independ\u00eancia dos pa\u00edses do continente e seu papel no desenvolvimento social e pol\u00edtico de \u00c1frica. De acordo com a Uni\u00e3o Africana, o dia 31 de julho \u00e9 uma oportunidade para reafirmar o papel essencial das mulheres africanas na constru\u00e7\u00e3o de uma \u00c1frica mais justa, unida e sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Conex\u00f5es entre \u00c1frica e di\u00e1spora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1frica \u00e9 dividida em cinco regi\u00f5es geogr\u00e1ficas e reconhece uma sexta: a di\u00e1spora africana, que inclui as comunidades formadas por descendentes de africanos espalhados pelo mundo ap\u00f3s o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravizados. As celebra\u00e7\u00f5es dos dias 25 e 31 de julho aproximam essas hist\u00f3rias e fortalecem os la\u00e7os entre as mulheres negras do continente e da di\u00e1spora, em suas lutas por reconhecimento, igualdade e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0184-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1352\" style=\"width:646px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0184-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0184-225x300.jpeg 225w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0184-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0184-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_0184-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Mulheres Negras africanas no Campo. Foto: Cec\u00edlia Kitombe<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Desafios comuns e resist\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora em contextos distintos, mulheres africanas e afrodescendentes enfrentam desafios semelhantes: racismo, sexismo, desigualdade de oportunidades e viol\u00eancia. No Brasil, por exemplo, a popula\u00e7\u00e3o negra corresponde a 54% da popula\u00e7\u00e3o, segundo o IBGE, e ainda \u00e9 a que mais sofre com a pobreza e a exclus\u00e3o social. Mulheres negras recebem, em m\u00e9dia, apenas 44% do rendimento dos homens brancos (IBGE, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da viol\u00eancia, os dados tamb\u00e9m revelam desigualdades alarmantes: a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a mais afetada por homic\u00eddios, viol\u00eancias dom\u00e9sticas e falta de acesso a direitos b\u00e1sicos. Diante desse cen\u00e1rio, o 25 de julho se firmou como um dia de organiza\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, que considerem a realidade das mulheres negras, ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O contexto africano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Uni\u00e3o Africana, a popula\u00e7\u00e3o do continente africano gira em torno de 1,5 bilh\u00e3o de pessoas, sendo 52% mulheres. No entanto, essa maioria demogr\u00e1fica n\u00e3o se reflete em representatividade pol\u00edtica ou equidade social. Mulheres ainda enfrentam restri\u00e7\u00f5es no acesso a cargos de poder e na garantia de seus direitos. Um relat\u00f3rio de 2024, do Banco Africano de Desenvolvimento e da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u00c1frica, revelou que apenas 7% dos cargos executivos no continente s\u00e3o ocupados por mulheres, e a m\u00e9dia de representa\u00e7\u00e3o feminina nos parlamentos nacionais \u00e9 de 24 a 26% \u2014 com destaque para Ruanda e Nam\u00edbia, que superam os 60%.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desigualdade evidencia a necessidade urgente de pol\u00edticas voltadas \u00e0 equidade de g\u00eanero, sobretudo em regi\u00f5es com altos \u00edndices de viol\u00eancia e limitado acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Heran\u00e7a ancestral como for\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, as mulheres negras \u2014 tanto do continente africano quanto da di\u00e1spora \u2014 compartilham muito mais do que dores. Elas compartilham ancestralidade, for\u00e7a e beleza. S\u00e3o lindas, n\u00e3o apesar da cor da pele, mas por causa dela, como disse a poeta angolana Erc\u00edlia Mangovo. \u00c9 justamente por meio dessa heran\u00e7a ancestral que tantas mulheres seguem rompendo barreiras e construindo caminhos de resist\u00eancia, solidariedade e empoderamento.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Julho das Pretas: para al\u00e9m da dor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Julho das Pretas; \u00e9 mais do que uma den\u00fancia das injusti\u00e7as hist\u00f3ricas. \u00c9 tamb\u00e9m um tempo de celebra\u00e7\u00e3o de conquistas, fortalecimento de redes de apoio e de reafirma\u00e7\u00e3o do protagonismo negro nas lutas por justi\u00e7a social. Continuaremos em marcha, unindo vozes e hist\u00f3rias, at\u00e9 que todas sejamos livres.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Viva o 25 de julho. Viva o 31 de julho. Viva a resist\u00eancia das mulheres negras de c\u00e1 e de l\u00e1.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:19% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-548 size-full\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-300x300.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-150x150.jpg 150w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-768x767.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-600x600.jpg 600w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia-400x400.jpg 400w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Silvia.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>Silvia&nbsp;Mungongo<\/strong>: natural de Luanda, Angola, atualmente residente na cidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 soci\u00f3loga, ativista, poeta e jornalista. Profissional de comunica\u00e7\u00e3o com s\u00f3lida experi\u00eancia em reda\u00e7\u00e3o, locu\u00e7\u00e3o, reportagem e edi\u00e7\u00e3o. Atuou em diversas plataformas, como r\u00e1dio, televis\u00e3o e m\u00eddia digital, desenvolvendo e apresentando conte\u00fados informativos e engajadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a coluna:<\/strong>&nbsp;Ombala \u00e9 uma palavra na l\u00edngua angolana&nbsp;Umbundu, que significa capital ou sede. Portanto, um lugar de encontros e reencontros e onde normalmente residem Reis e Rainhas. A coluna pretende ser um espa\u00e7o de reencontro da cultura africana, seus fazedores e sua abrang\u00eancia na di\u00e1spora. Ser\u00e1 um prazer ter-vos por aqui.&nbsp;Ngasakidila!<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna Ombala ADRA &#8211; Ac\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (Angola) 2025. 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