{"id":1318,"date":"2025-07-08T13:04:31","date_gmt":"2025-07-08T16:04:31","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=1318"},"modified":"2025-07-08T13:11:38","modified_gmt":"2025-07-08T16:11:38","slug":"funk-e-cultura-e-identidade-e-agora-tambem-e-politica-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/07\/08\/funk-e-cultura-e-identidade-e-agora-tambem-e-politica-publica\/","title":{"rendered":"Funk \u00e9 cultura, \u00e9 identidade e agora tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"615\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/guardachuva1-e1562964163186-1536x922-1-1024x615.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1319\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/guardachuva1-e1562964163186-1536x922-1-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/guardachuva1-e1562964163186-1536x922-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/guardachuva1-e1562964163186-1536x922-1-768x461.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/guardachuva1-e1562964163186-1536x922-1.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Baile funk SP &#8211; Foto: Wenderson Fran\u00e7a\/ Portal Kondzilla<br><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Carolina Rosa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Julho \u00e9 o m\u00eas do funk, com dois marcos importantes no calend\u00e1rio: o Dia Estadual do Funk, celebrado em 7 de julho em homenagem ao MC Daleste; e o Dia Nacional do Funk, no dia 12, relembrando o Baile da Pesada, realizado em 1970 no Rio de Janeiro. Mas al\u00e9m da festa, esse m\u00eas \u00e9 tamb\u00e9m um alerta sobre as contradi\u00e7\u00f5es que ainda cercam o movimento: se por um lado o funk \u00e9 reconhecido como pot\u00eancia cultural e econ\u00f4mica, por outro, segue sendo alvo de criminaliza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia institucional \u2014 principalmente quando nasce e cresce nas quebradas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo depois&nbsp; do \u201cMassacre de Parais\u00f3polis\u201d, em 2019, quando nove jovens morreram pisoteados durante uma a\u00e7\u00e3o violenta da Pol\u00edcia Militar em um baile funk na zona sul de S\u00e3o Paulo, a repress\u00e3o nos bailes n\u00e3o cessou. Relat\u00f3rios da Unifesp revelam que, mesmo ap\u00f3s a trag\u00e9dia, dezenas de opera\u00e7\u00f5es policiais continuaram ocorrendo em bailes de rua, com uso de bombas, g\u00e1s e agress\u00f5es \u2014 sem qualquer transpar\u00eancia ou presta\u00e7\u00e3o de contas por parte do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mas a quebrada n\u00e3o espera s\u00f3 por respostas institucionais. Diante da repress\u00e3o e da tentativa constante de apagar esse s\u00edmbolo da cultura perif\u00e9rica, artistas, coletivos e iniciativas locais t\u00eam constru\u00eddo sa\u00eddas poss\u00edveis \u2014 onde o funk n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m pol\u00edtica p\u00fablica, gera\u00e7\u00e3o de renda e horizonte de futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>De alvo a protagonista: o funk entra no circuito institucional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Coordenadoria de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Funk, pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de S\u00e3o Paulo, em 2023, foi um marco hist\u00f3rico. Pela primeira vez, o Estado reconhece o funk como manifesta\u00e7\u00e3o cultural leg\u00edtima, pass\u00edvel de ser fomentada \u2014 e n\u00e3o criminalizada. Neste m\u00eas de julho, a pasta lan\u00e7ou o projeto Pega Vis\u00e3o, uma s\u00e9rie de encontros entre jovens das periferias e grandes nomes da cena, como MC Livinho. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em parceria com as produtoras Kondzilla e GR6, dois gigantes do mercado musical nascidos da favela.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 simples e potente: aproximar juventudes da quebrada de quem j\u00e1 venceu barreiras parecidas. Em Heli\u00f3polis, a primeira edi\u00e7\u00e3o do projeto mostrou que o funk pode&nbsp; e deve&nbsp; ser tamb\u00e9m espa\u00e7o de troca, inspira\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o coletiva de novos caminhos. \u201cEssas a\u00e7\u00f5es fazem a diferen\u00e7a. Espero sempre motivar os jovens com a minha hist\u00f3ria\u201d, afirmou MC Livinho.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que shows e oficinas, iniciativas como o credenciamento aberto para artistas do funk \u2014 tamb\u00e9m lan\u00e7ado este m\u00eas \u2014 reconhecem que o movimento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 m\u00fasica. \u00c9 est\u00e9tica, dan\u00e7a, audiovisual, grafite, moda e literatura. \u00c9 uma cadeia criativa viva, que emprega e movimenta economias locais. Em vez de repress\u00e3o, o que esses artistas precisam \u00e9 de estrutura, espa\u00e7o e visibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 o fortalecimento das Casas de Cultura e Bibliotecas como pontos de encontro para o debate sobre est\u00e9tica perif\u00e9rica. Neste m\u00eas, a Biblioteca M\u00e1rio de Andrade recebe a palestra \u201cO funk e a quebrada como centro do mundo\u201d, mostrando que o debate j\u00e1 chegou at\u00e9 os espa\u00e7os tradicionalmente elitizados da cultura \u2014 e que a periferia n\u00e3o est\u00e1 mais pedindo passagem, mas ocupando os centros com protagonismo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es em curso \u2014 e os desafios que permanecem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1 muito a ser feito. <a href=\"https:\/\/portal.unifesp.br\/destaques\/relatorio-da-unifesp-analisa-repressao-aos-bailes-funk-e-seus-impactos-na-juventude-negra-e-periferica#:~:text=A%20repress%C3%A3o%20ao%20funk%20e,em%20agress%C3%B5es%20f%C3%ADsicas%20e%20mortes.\">Relat\u00f3rios como o da Unifesp<\/a> e estudos de redes como o Funk Total apontam que a juventude funkeira continua sendo alvo de pol\u00edticas de seguran\u00e7a que tratam cultura como caso de pol\u00edcia. Falta um plano intersetorial que una cultura, juventude, direitos humanos e seguran\u00e7a p\u00fablica \u2014 com foco em repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas de repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de escuta e participa\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente. Consultas p\u00fablicas, como a do edital de festivais de funk, s\u00e3o passos importantes \u2014 desde que garantam a presen\u00e7a real de quem constr\u00f3i o movimento, e n\u00e3o apenas de mediadores institucionais. Para isso, \u00e9 essencial que os coletivos, MCs e produtores das quebradas tenham vez nas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O funk \u00e9 muitas coisas: den\u00fancia, celebra\u00e7\u00e3o, ferramenta de autoestima, economia da favela, trilha sonora da resist\u00eancia. E em tempos de criminaliza\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, ele tamb\u00e9m se afirma como projeto de sociedade&nbsp; com base na coletividade, na liberdade de express\u00e3o e no direito \u00e0 cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de silenciar o batid\u00e3o, cada vez mais a sociedade tem entendido que j\u00e1 \u00e9 hora de amplificar suas mensagens, proteger seus corpos e reconhecer seu valor. Porque quando o funk toca alto nas quebradas, \u00e9 a pr\u00f3pria periferia dizendo que quer viver&nbsp; e viver bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baile funk SP &#8211; Foto: Wenderson Fran\u00e7a\/ Portal Kondzilla Por Carolina Rosa Julho \u00e9 o m\u00eas do funk, com dois marcos importantes no calend\u00e1rio: o Dia Estadual do Funk, celebrado em 7 de julho em homenagem ao MC Daleste; e o Dia Nacional do Funk, no dia 12, relembrando o Baile da Pesada, realizado em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1319,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sb_editor_width":"","footnotes":""},"categories":[13,26,22],"tags":[23],"class_list":["post-1318","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-destaque","category-juventudes","tag-territorio-da-noticia"],"relative_dates":{"created":"9 meses ago","modified":"9 meses ago"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1318"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1320,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1318\/revisions\/1320"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}