{"id":1277,"date":"2025-06-18T11:15:01","date_gmt":"2025-06-18T14:15:01","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=1277"},"modified":"2025-06-18T11:15:02","modified_gmt":"2025-06-18T14:15:02","slug":"educacao-interrompida-ibge-revela-que-87-milhoes-de-jovens-nao-concluiram-o-ensino-medio-em-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/06\/18\/educacao-interrompida-ibge-revela-que-87-milhoes-de-jovens-nao-concluiram-o-ensino-medio-em-2024\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o Interrompida: IBGE revela que 8,7 milh\u00f5es de jovens n\u00e3o conclu\u00edram\u00a0 o ensino m\u00e9dio em 2024"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#9b51e0\" class=\"has-inline-color\">\u00a0Educa\u00e7\u00e3o<\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"875\" height=\"485\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/PNADEDUC_HOME_AlbaRosa-AEN.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1278\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/PNADEDUC_HOME_AlbaRosa-AEN.jpg 875w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/PNADEDUC_HOME_AlbaRosa-AEN-300x166.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/PNADEDUC_HOME_AlbaRosa-AEN-768x426.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 875px) 100vw, 875px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Necessidade de trabalhar, gravidez e falta de interesse pelo estudo s\u00e3o os tr\u00eas motivos que mais afastam as mulheres jovens da escola &#8211; Foto: Alba Rosa\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Carolina Rosa\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Aos 32 anos, Daiane Rodrigues carrega na mem\u00f3ria um cap\u00edtulo amargo da sua rela\u00e7\u00e3o com a escola. Ainda adolescente, precisou abandonar os estudos para ajudar nas contas de casa, em uma rotina que se tornou comum entre meninas pretas dos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos Brasil&nbsp; adentro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cMinha m\u00e3e dependia de mim. Meu pai tinha problemas com \u00e1lcool e, com dois irm\u00e3os mais novos, eu me tornei uma das respons\u00e1veis pelo sustento da casa\u201d, relembra Daiane.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ex-aluna da Escola Estadual Carolina Cintra da Silveira, no Cap\u00e3o Redondo, Daiane diz que a escola nunca foi um ambiente acolhedor: salas sucateadas, aulas vagas e uma proposta pedag\u00f3gica distante da sua realidade: \u201cA gente falava todo dia em sair da escola. Ela n\u00e3o fazia sentido pra nossa vida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria de Daiane reflete a realidade de milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras. Apesar dos avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o do analfabetismo e do aumento da escolaridade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, os desafios seguem alarmantes. Em 2024, 8,7 milh\u00f5es de jovens entre 14 e 29 anos n\u00e3o haviam conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio, segundo <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/43699-indicadores-educacionais-avancam-em-2024-mas-atraso-escolar-aumenta\">dados recentes divulgados pelo IBGE, obtidos pelo m\u00f3dulo anual da PNAD Cont\u00ednua sobre Educa\u00e7\u00e3o<\/a>. Em 2023, esse contingente era de 9,3 milh\u00f5es e em 2019, chegava a 11,4 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mas voc\u00ea sabe porque esse n\u00famero \u00e9 t\u00e3o alto? De acordo com o levantamento, a necessidade de trabalhar, a falta de interesse nos conte\u00fados escolares e, no caso das mulheres, a gravidez precoce e os afazeres dom\u00e9sticos, ainda s\u00e3o os principais motivos de evas\u00e3o \u2014 e atingem com mais for\u00e7a a popula\u00e7\u00e3o preta e parda, ampliando desigualdades hist\u00f3ricas em regi\u00f5es de maior vulnerabilidade social.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Dos 8,7 milh\u00f5es de jovens entre 14 e 29 anos , 72,5% s\u00e3o pretos ou pardos e 59,1% s\u00e3o homens, o que refor\u00e7a o impacto do racismo estrutural e das desigualdades de g\u00eanero nos caminhos interrompidos da educa\u00e7\u00e3o no Brasil.A evas\u00e3o escolar no Brasil \u00e9 um fen\u00f4meno que tem ra\u00edzes profundas. Fatores como a precariedade da infraestrutura escolar, a dist\u00e2ncia entre o curr\u00edculo e a realidade dos estudantes, e a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de perman\u00eancia \u2014 como bolsa, alimenta\u00e7\u00e3o e acolhimento \u2014 contribuem para que milhares de jovens abandonem os estudos todos os anos. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais cr\u00edtica nas periferias urbanas e nas \u00e1reas rurais, onde as redes de apoio s\u00e3o fr\u00e1geis e o trabalho informal \u00e9 muitas vezes a \u00fanica alternativa de renda para as fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o como direito e caminhos perif\u00e9ricos de retorno<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Foram cinco anos longe da sala de aula, at\u00e9 que Daiane, come\u00e7ou a sentir as consequ\u00eancias da falta da forma\u00e7\u00e3o no ensino m\u00e9dio. Diante das barreiras do mercado de trabalho, ela decidiu voltar a estudar e fez isso por meio do <a href=\"https:\/\/educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br\/educacao-de-jovens-e-adultos-eja\/\">EJA (Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos)<\/a>, no EMEFM Prof. Linneu Prestes, localizado em Santo Amaro, outro bairro da zona sul. \u201cNo EJA, eu encontrei outras hist\u00f3rias como a minha. Foi ali que, pela primeira vez, eu me senti de fato dentro da escola, n\u00e3o estou falando que era mil maravilhas, porque continuava sendo escola p\u00fablica n\u00e9, mas foi uma experi\u00eancia que me transformou\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O caminho que Daiane escolheu \u00e9 uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o para quem deseja retomar os estudos ap\u00f3s a evas\u00e3o escolar. Criado como pol\u00edtica p\u00fablica para garantir o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a quem n\u00e3o a concluiu na idade regular, o programa oferece uma alternativa mais flex\u00edvel, com etapas concentradas e hor\u00e1rios adaptados, permitindo que trabalhadores possam estudar, muitas vezes \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A proposta do EJA \u00e9 baseada em ciclos mais curtos: o ensino fundamental pode ser conclu\u00eddo em at\u00e9 quatro anos e o ensino m\u00e9dio em apenas um ano e meio, dependendo da oferta. Essa estrutura visa compensar o tempo perdido, mas ainda esbarra em desafios, como turmas regulares, e, nas que existem, a rotatividade de professores, a falta de materiais did\u00e1ticos espec\u00edficos e a aus\u00eancia de pol\u00edticas de perman\u00eancia (como merenda noturna, transporte e bolsas) que dificultam a continuidade dos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 um estigma social associado \u00e0 modalidade: muitos alunos relatam vergonha ou desconforto por voltarem \u00e0 escola em uma etapa da vida em que a maioria j\u00e1 est\u00e1 inserida no mercado de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o EJA tem cumprido um papel fundamental na reconstru\u00e7\u00e3o de trajet\u00f3rias interrompidas \u2014 como a de Daiane. Para muitas pessoas, ele representa n\u00e3o apenas uma segunda chance, mas tamb\u00e9m o reencontro com a autoestima e com a possibilidade de fazer planos. O desafio que permanece \u00e9 garantir que esse direito seja efetivamente acess\u00edvel, valorizado e adaptado \u00e0s realidades diversas da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Daiane n\u00e3o apenas concluiu o ensino m\u00e9dio como pode ter uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica na \u00e1rea da sa\u00fade, ampliando suas oportunidades de trabalho. \u201cAcredito sim na educa\u00e7\u00e3o e que a&nbsp; escola pode ser um lugar de mudan\u00e7a, mas ela precisa escutar e principalmente enxergar quem est\u00e1 nela\u201d, afirma. Sua hist\u00f3ria ecoa entre milh\u00f5es de outras que, mesmo diante de tantos obst\u00e1culos, seguem acreditando que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho poss\u00edvel \u2014 desde que ela venha com equidade e respeito \u00e0 diversidade de caminhadas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A Rede Municipal de Educa\u00e7\u00e3o conta atualmente com 185 unidades educacionais que ofertam a modalidade de EJA na cidade de S\u00e3o Paulo. As unidades est\u00e3o organizadas por Diretorias Regionais de Educa\u00e7\u00e3o (DRE), <a href=\"https:\/\/educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br\/educacao-de-jovens-e-adultos-eja\/unidades-educacionais-eja\/\">clique aqui para acessar o site oficial e conferir a escola mais pr\u00f3xima para voc\u00ea<strong>.<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Educa\u00e7\u00e3o Por Carolina Rosa\u00a0 Aos 32 anos, Daiane Rodrigues carrega na mem\u00f3ria um cap\u00edtulo amargo da sua rela\u00e7\u00e3o com a escola. 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