{"id":1037,"date":"2025-03-23T20:05:20","date_gmt":"2025-03-23T23:05:20","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/?p=1037"},"modified":"2025-06-09T10:39:14","modified_gmt":"2025-06-09T13:39:14","slug":"manda-noticias-e-o-sonho-que-eu-nao-sabia-que-poderia-ter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/index.php\/2025\/03\/23\/manda-noticias-e-o-sonho-que-eu-nao-sabia-que-poderia-ter\/","title":{"rendered":"Manda Not\u00edcias \u00e9 o sonho que eu n\u00e3o sabia que poderia ter"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Manda-2020-Grande-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1038\" style=\"width:802px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Manda-2020-Grande-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Manda-2020-Grande-300x225.jpeg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Manda-2020-Grande-768x576.jpeg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Manda-2020-Grande.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto de agosto de 2020, quando Gisele Alexandre come\u00e7ou a gravar o Manda Not\u00edcias pelo celular.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Gisele Alexandre<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cinco anos, em 23 de mar\u00e7o de 2020, enviei um \u00e1udio de 1 minuto e 48 segundos para uma lista de transmiss\u00e3o no WhastApp. Depois disso, tudo mudou na minha vida. Voc\u00ea pode at\u00e9 duvidar, mas essa \u00e9 a mais pura verdade!<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 falei algumas vezes, que criei o Manda Not\u00edcias no momento em que tive mais medo. H\u00e1 cinco anos, a pandemia tinha chegado com for\u00e7a no Brasil, e eu estava com muito medo de adoecer, mas, estava ainda mais preocupada com a sa\u00fade dos meus pais idosos, do meu filho de 8 anos e das comunidades vulner\u00e1veis do meu territ\u00f3rio, o Cap\u00e3o Redondo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do medo da doen\u00e7a, ainda vivia todos os desafios do isolamento. Naquela \u00e9poca, meu filho estava no segundo ano do ensino fundamental, ou seja, dava os primeiros passos em seu processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Assim como milhares de fam\u00edlias brasileiras, tivemos que aprender juntos a estudar online, tarefa nada f\u00e1cil. Pedro recebeu o tablet da Prefeitura e passei a acompanh\u00e1-lo nas tarefas da escola. Ao mesmo tempo, igualmente o que acontecia em diversas casas, meu casamento, que j\u00e1 n\u00e3o era saud\u00e1vel, ficou insalubre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso acontecia ao mesmo tempo, em que eu coordenava a \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o de uma ONG, trabalhava como rep\u00f3rter freelancer e, ainda, participava ativamente de uma articula\u00e7\u00e3o nacional como outros comunicadores de territ\u00f3rios perif\u00e9ricos, favelados, quilombolas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi vivendo tudo isso, em um apartamento de 50 metros quadrados, que criei o Manda Not\u00edcias. Meu objetivo era muito claro: combater a desinforma\u00e7\u00e3o, minimizando as consequ\u00eancias da pandemia para os moradores do Cap\u00e3o Redondo e arredores.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando mandei o primeiro \u00e1udio, recebi uma enxurrada de mensagens de gente me parabenizando pela iniciativa, o que me surpreendeu no primeiro momento. No dia seguinte, j\u00e1 tinha a certeza que aquele trabalho poderia fazer a diferen\u00e7a, por isso segui em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Equilibrando as tarefas da maternidade, as tristezas de um casamento t\u00f3xico em ru\u00ednas e o medo de ter algu\u00e9m pr\u00f3ximo a mim contaminado pela doen\u00e7a, eu me agarrei na miss\u00e3o de informar. Criava e enviada tr\u00eas not\u00edcias por \u00e1udio semanalmente, n\u00e3o falhei nenhum dia. A audi\u00eancia come\u00e7ou a crescer depressa e o retorno era instant\u00e2neo, como se estivessem esperando pela minha mensagem. Professoras come\u00e7aram a utilizar meus conte\u00fados em aulas online, e meus amigos e amigas comunicadores me enviavam dicas e sugest\u00f5es para o projeto melhorar.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ano foi extremamente desafiador, mas o retorno daquela trabalho volunt\u00e1rio e sem grandes pretens\u00f5es, me inspirou a querer seguir em frente e me aperfei\u00e7oar. O Manda Not\u00edcias, que surgiu sem nome e como um zapcast (podcast via WhatsApp), se mostrou relevante logo no primeiro m\u00eas, e ganhou destaque como um projeto de impacto social pouco tempo depois, reconhecido pela imprensa nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma semana depois do lan\u00e7amento do Manda, a Associa\u00e7\u00e3o de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicou uma reportagem <a href=\"https:\/\/abraji.org.br\/noticias\/nas-periferias-brasileiras-comunicadores-constroem-alternativas-para-noticiar-o-coronavirus\">sobre as estrat\u00e9gias dos comunicadores perif\u00e9ricos durante a pandemia, e o Manda Noticias foi um dos projetos citados<\/a>. No m\u00eas seguinte, sa\u00edmos no <a href=\"https:\/\/slate.com\/news-and-politics\/2020\/04\/brazil-favelas-coronavirus-communicators-rio.html?fbclid=IwAR3QJ_HPuecV0q4OhP24fv441u5S9cWjCpTiplHMbaetaspfpy9U6exLKd8\">site americano Slate, em uma reportagem sobre o mesmo tema<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 em 2020, fui entrevistada para mais de 12 reportagens. No ano seguinte, o destaque na imprensa continuou. Uma das mat\u00e9rias que mais repercutiram teve o t\u00edtulo \u201c<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/ultimas-noticias\/2021\/04\/19\/jornalista-noticia-pandemia-via-whatsapp-para-moradores-do-capao-redondo-sp.htm\">Jornalista noticia pandemia via WhatsApp para moradores do Cap\u00e3o Redondo-SP<\/a>\u201d que saiu no UOL no m\u00eas de abril de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>O Manda Not\u00edcias nasceu no WhastApp e migrou para as principais plataformas de \u00e1udio e para as redes sociais. Ao longo desses cinco anos, fui entendendo e aprendendo a fazer podcast. Fiz muitas reportagens e s\u00e9ries in\u00e9ditas em \u00e1udio. Em 2023, retomei meu trabalho no jornalismo cultural (minha origem) e hoje penso que o Manda Not\u00edcias pode ser muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Manda \u00e9 um sonho que eu nem sabia que tinha. Esse projeto me fortaleceu nas minhas mais diversas camadas. Foi tocando esse projeto que me descobri uma pessoa melhor e mais forte. Em 2022 consegui me divorciar e retomar uma parte importante de mim que estava \u201cinativa\u201d. Em 2023, tive a coragem de abrir minha pr\u00f3pria produtora e, desde ent\u00e3o, tenho me desafiado a ser uma profissional que viabiliza o sonho de outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanta coisa me aconteceu nos \u00faltimos cinco anos. Foram muitos obst\u00e1culos e alguns empurr\u00f5es, mas nenhum deles foi forte suficiente para me derrubar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse anivers\u00e1rio, quero deixar registrado o agradecimento \u00e0 minha fam\u00edlia, aos ouvintes e aos companheiros e companheiras da comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me deixaram desistir. Sigo em frente, atenta e forte, asfaltando caminhos e criando atalhos para que outras e outros comunicadores perif\u00e9ricos, possam criar seus pr\u00f3prios sonhos e, quem sabe, dar continuidade a tantos projetos que comecei, depois do Manda.<\/p>\n\n\n\n<p>OBRIGADA! Que os pr\u00f3ximos cinco anos sejam leves e pr\u00f3speros!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:15% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Gi_pauta-1024x819.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1176 size-full\" srcset=\"https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Gi_pauta-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Gi_pauta-300x240.jpg 300w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Gi_pauta-768x614.jpg 768w, https:\/\/jornalismo.mandanoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Gi_pauta.jpg 1527w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>Gisele Alexandre:<\/strong>&nbsp;Jornalista, educomunicadora, articuladora cultural e gestora de projetos. Criada no Cap\u00e3o Redondo, periferia da capital paulista, atua h\u00e1 cerca de 20 anos no jornalismo perif\u00e9rico. \u00c9 diretora-executiva da Pauta Perif\u00e9rica e idealizadora do Manda Not\u00edcias, do Clube de Criadores EduCap\u00e3o e do Festival CultCom.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto de agosto de 2020, quando Gisele Alexandre come\u00e7ou a gravar o Manda Not\u00edcias pelo celular. Por Gisele Alexandre H\u00e1 cinco anos, em 23 de mar\u00e7o de 2020, enviei um \u00e1udio de 1 minuto e 48 segundos para uma lista de transmiss\u00e3o no WhastApp. Depois disso, tudo mudou na minha vida. 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